O que nos falta é glamour! (*) Cleber Lopez
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Cabo Frio e suas belezas naturais já foram fonte de inspiração de alguns dos mais importantes artistas dos Brasil, tanto da música como da literatura, quanto do cinema e das artes plásticas. A cidade também foi berço de gente que, com sua arte, revolucionou, encantou e imortalizou a nossa história cultural com a ousadia, a garra e a coragem comuns aos que entendem que a cultura de um povo é o seu maior patrimônio.
A música "Café Society", de Edith Veiga, sucesso na voz da Rainha da MPB, Maria Bethânia, em 1968, é um exemplo do momento que vivemos um dia: "Agora estou somente contra a Dama de Preto; Nos dez mais elegantes eu estou também; Adoro riverside, só pesco em Cabo Frio... decididamente eu sou gente bem".
As nossas praias serviram de cenário para Ruy Guerra dirigir Norma Bengell no primeiro nu frontal do cinema brasileiro, no filme "Os Cafajestes" em 1962, que provocou um escândalo moral na época e acabou interditado pela censura. A cidade, dois anos depois, inspirou a obra "Verão no Aquário", da dama da literatura Brasileira, Lygia Fagundes Telles. A Bossa Nova também passou por aqui: O "Barquinho", de Roberto Menescal foi composto no mar de Cabo Frio, um hino a beleza e a exuberância dos nossos dias de verão: "Dia de luz, festa de sol e o barquinho a deslizar no macio azul do mar... tudo é verão, o amor se faz num barquinho pelo mar que desliza sem parar. Sem intenção nossa canção vai saindo desse mar e o sol beija o barco e luz... dias tão azuis".
O artista Sergipano José de Dome trocou para sempre a Bahia por Cabo Frio em 1965 e com muita cor e muita luz, produziu uma das obras mais autênticas e reveladoras de nossa cultura. O francês Jean Guillaume, depois de correr o mundo, desembarcou aqui em 1961 para pintar as nossas paisagens marítimas. Carlos Scliar, aportou na cidade também na década de 60, embora tivesse uma casa em Ouro Preto, em Minas Gerais. Cabo Frio se revelava um balneário sofisticado que tinha acabado de ser descoberto por intelectuais e artistas do Rio de Janeiro, apesar da cidade dispor de apenas um hotel, o "Colonial".
Quem não se lembra do show de Gilberto Gil no coreto da praça no aniversário da cidade ou da visita do "Capitão Asa" ao Colégio Miguel Couto? A verdade é que perdemos a simplicidade... o que nos resta são as piores lembranças: Kika Seixas, na praça Porto Rocha, sobre o palco passando um sabão no prefeito e em todos nós: "Essa praça fede!"
A cidade também foi berço de artistas inigualáveis como o Maestro Jessé Corrêa de Menezes; Antenor Cardoso da Fonseca; Waldemir Terra Cardoso, Pedro Guedes Alcoforado, Antônio Terra, Victorino Carriço; José Casimiro, Célio Mendes Guimarães... o genial Abel Silva, compositor de canções que ganharam as vozes de Elis Regina, Simone, Gal Costa, Maria Bethânia, Nara Leão, Fagner, Cauby Peixoto etc. O Grupo Creche na Coxia, dirigido por um maranhense, José Facury Heluy, escreveu a história teatral da cidade nas últimas três décadas, mas é preciso lembrar de Dona Cacilda Santa Rosa e da família Machado que mantém, desde 1917, o Cine Recreio.
Cabo Frio inspirou e vai continuar inspirando grandes artistas apesar da especulação imobiliária ter destruído nossos casarios; apesar da tétrica arquitetura mineira e de seus caixotes de cinco andares em frente a praia; apesar do crescimento desordenado e da policagem que nos cercou de favelas; apesar da ignorância de nossos políticos que, certamente, nunca leram mais de dois livros na vida; apesar de ainda acreditarmos que a Secretaria de Cultura, que nunca existiu e que nada produziu vá nos servir um dia para alguma coisa a não ser inflar o ego e os bolsos de quem desconhece e não tem compromisso com a nossa história.
É preciso lembrar Lygia Fagundes Telles em sua obra ambientada em Cabo Frio - "a vida num aquário, apesar de pacífica, é uma vida pela metade, pois não oferece luta. Melhor é enfrentar o mar e seus perigos, mesmo que isso custe alguma dor, algum sacrifício. E as mudanças vão chegando lentamente, assim como o vento refrescante que sopra anunciando o final do escaldante verão" - ou lembramos a personagem Lady Cate, de "Zorra Total"- dinheiro nós temos, mas nos falta o glamour!
(*) Cleber Lopez é jornalista e editor do jornal interpress.
Cabo Frio e suas belezas naturais já foram fonte de inspiração de alguns dos mais importantes artistas dos Brasil, tanto da música como da literatura, quanto do cinema e das artes plásticas. A cidade também foi berço de gente que, com sua arte, revolucionou, encantou e imortalizou a nossa história cultural com a ousadia, a garra e a coragem comuns aos que entendem que a cultura de um povo é o seu maior patrimônio.
A música "Café Society", de Edith Veiga, sucesso na voz da Rainha da MPB, Maria Bethânia, em 1968, é um exemplo do momento que vivemos um dia: "Agora estou somente contra a Dama de Preto; Nos dez mais elegantes eu estou também; Adoro riverside, só pesco em Cabo Frio... decididamente eu sou gente bem".
As nossas praias serviram de cenário para Ruy Guerra dirigir Norma Bengell no primeiro nu frontal do cinema brasileiro, no filme "Os Cafajestes" em 1962, que provocou um escândalo moral na época e acabou interditado pela censura. A cidade, dois anos depois, inspirou a obra "Verão no Aquário", da dama da literatura Brasileira, Lygia Fagundes Telles. A Bossa Nova também passou por aqui: O "Barquinho", de Roberto Menescal foi composto no mar de Cabo Frio, um hino a beleza e a exuberância dos nossos dias de verão: "Dia de luz, festa de sol e o barquinho a deslizar no macio azul do mar... tudo é verão, o amor se faz num barquinho pelo mar que desliza sem parar. Sem intenção nossa canção vai saindo desse mar e o sol beija o barco e luz... dias tão azuis".
O artista Sergipano José de Dome trocou para sempre a Bahia por Cabo Frio em 1965 e com muita cor e muita luz, produziu uma das obras mais autênticas e reveladoras de nossa cultura. O francês Jean Guillaume, depois de correr o mundo, desembarcou aqui em 1961 para pintar as nossas paisagens marítimas. Carlos Scliar, aportou na cidade também na década de 60, embora tivesse uma casa em Ouro Preto, em Minas Gerais. Cabo Frio se revelava um balneário sofisticado que tinha acabado de ser descoberto por intelectuais e artistas do Rio de Janeiro, apesar da cidade dispor de apenas um hotel, o "Colonial".
Quem não se lembra do show de Gilberto Gil no coreto da praça no aniversário da cidade ou da visita do "Capitão Asa" ao Colégio Miguel Couto? A verdade é que perdemos a simplicidade... o que nos resta são as piores lembranças: Kika Seixas, na praça Porto Rocha, sobre o palco passando um sabão no prefeito e em todos nós: "Essa praça fede!"
A cidade também foi berço de artistas inigualáveis como o Maestro Jessé Corrêa de Menezes; Antenor Cardoso da Fonseca; Waldemir Terra Cardoso, Pedro Guedes Alcoforado, Antônio Terra, Victorino Carriço; José Casimiro, Célio Mendes Guimarães... o genial Abel Silva, compositor de canções que ganharam as vozes de Elis Regina, Simone, Gal Costa, Maria Bethânia, Nara Leão, Fagner, Cauby Peixoto etc. O Grupo Creche na Coxia, dirigido por um maranhense, José Facury Heluy, escreveu a história teatral da cidade nas últimas três décadas, mas é preciso lembrar de Dona Cacilda Santa Rosa e da família Machado que mantém, desde 1917, o Cine Recreio.
Cabo Frio inspirou e vai continuar inspirando grandes artistas apesar da especulação imobiliária ter destruído nossos casarios; apesar da tétrica arquitetura mineira e de seus caixotes de cinco andares em frente a praia; apesar do crescimento desordenado e da policagem que nos cercou de favelas; apesar da ignorância de nossos políticos que, certamente, nunca leram mais de dois livros na vida; apesar de ainda acreditarmos que a Secretaria de Cultura, que nunca existiu e que nada produziu vá nos servir um dia para alguma coisa a não ser inflar o ego e os bolsos de quem desconhece e não tem compromisso com a nossa história.
É preciso lembrar Lygia Fagundes Telles em sua obra ambientada em Cabo Frio - "a vida num aquário, apesar de pacífica, é uma vida pela metade, pois não oferece luta. Melhor é enfrentar o mar e seus perigos, mesmo que isso custe alguma dor, algum sacrifício. E as mudanças vão chegando lentamente, assim como o vento refrescante que sopra anunciando o final do escaldante verão" - ou lembramos a personagem Lady Cate, de "Zorra Total"- dinheiro nós temos, mas nos falta o glamour!
(*) Cleber Lopez é jornalista e editor do jornal interpress.